Minha vó Genny, mãe do seu Adeodato, nasceu nos campos de cima da serra no início do século passado, uma época em que mulheres sequer podiam votar no Brasil – o direito ao voto só foi conquistado em 1932. Contrariando as expectativas, ou a falta delas, ela se tornou conhecida em Lagoa Vermelha tanto por sua permanente atividade política quanto por sua incansável dedicação ao magistério. Não tive a oportunidade de conviver muito com ela, já que veio a falecer quando eu ainda era criança, mas guardo até hoje as cartas que ela redigia – de punho, é claro, e com uma caligrafia absolutamente impecável – e enviava pelo correio para elogiar meu desempenho nos estudos e me incentivar a seguir sempre querendo aprender mais.
A professora Genny, hoje, empresta o nome para a biblioteca pública do município de André da Rocha. Em 2010, a convite da secretaria municipal de educação, dei uma palestra no auditório vizinho. Ao passar diante da entrada da biblioteca e quase transbordar de orgulho ao ver o nome da vó na porta, pensei imediatamente na minha responsabilidade por ter escolhido, assim como ela, ser professor.
Sem desmerecer nenhum ofício, é claro, tenho a forte impressão de que se nós, professores, pudéssemos calcular nossa probabilidade concreta de construir um legado, encontraríamos um resultado um pouco acima da média. E não é necessário virar nome de biblioteca para isso: basta trabalhar para fazer uma diferença positiva na vida das pessoas, um aluno de cada vez.
Hoje é o dia de agradecer a todos os professores que fizeram essa diferença em minha vida. Muito obrigado, de coração.
E quanto à vó Genny, eternizada como guardiã dos livros de André da Rocha? Ando meio desconfiado de que, se ela pudesse me enviar uma carta no dia do professor, o texto seria mais ou menos assim:
“Querido neto Gustavo,
a fruta não cai longe do pé…
Beijos carinhosos da tua vovó Genny”
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